09/10/2026 00:47
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Eleição brasileira adia retorno do embaixador do Brasil para Buenos Aires "por tempo indeterminado"

Eleição brasileira adia retorno do embaixador do Brasil para Buenos Aires "por tempo indeterminado"

Nos bastidores do bolsonarismo, já trabalham com possibilidade de três nomes para liderar o Itamaraty. Dois deles respeitados e um que gera forte preocupação.

O resultado do primeiro turno da eleição brasileira foi intensamente comemorado pelo presidente da Argentina, Javier Milei, em suas redes sociais. Milei ficou eufórico com a vantagem que o candidato e senador Flávio Bolsonaro, a quem chama de “amigo”, registrou na disputa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que busca a reeleição.

O argentino tem reiterado suas críticas e insultos ao presidente brasileiro e enfatizado que com Bolsonaro, caso eleito, a “liberdade” ocupará quase todo o continente americano.

Atualmente, os governos do Brasil, do Uruguai e do México são praticamente as únicas exceções na onda de direita e de extrema-direita nas presidências dos países da América Latina. Nesta quinta-feira, Milei fez uma postagem de um mapa da América Latina com a presidente do México, Claudia Sheinbaum, sendo a única sentada, isolada, em uma mesa de presidentes e diante da faixa que diz: “Fórum de São Paulo”. Na cadeira do Brasil, aparece a bandeira nacional. Milei também já publicou posts em suas redes sociais com Flávio Bolsonaro como presidente ao lado dele e de outros líderes da América Latina que também são da direita ou da extrema-direita.

A votação em Flávio Bolsonaro turbinou o sentimento de Milei contra Lula e os líderes que não compartilham de suas ideias e que ele chama de “socialistas” ou “comunistas”.

Neste ambiente hostil, o retorno do embaixador do Brasil, Júlio Bitelli, para Buenos Aires é considerado “impossível” ou, no mínimo, “distante”, como comentaram fontes do governo brasileiro. Bitelli retornou para o Brasil depois que Milei subiu ao palanque de Flávio Bolsonaro na convenção do PL, em São Paulo, quando disparou insultos contra Lula. “É verdade que o presidente Lula apoiou (o então presidenciável) Massa na disputa presidencial com Milei, mas o presidente Lula não fez nem de longe o que Milei está fazendo com essa série de agressões”, disse uma fonte do governo brasileiro ao Clarin em Português.

Ao mesmo tempo, nos bastidores de Brasília, crescem três nomes para a cadeira de chanceler no Itamaraty, caso Flávio Bolsonaro vença o segundo turno da eleição presidencial – na campanha de Lula acredita-se fortemente que é possível conquistar votos nas três semanas que faltam para o novo pleito e ainda virar o resultado registrado no primeiro turno.

Os nomes no bolsonarismo, apontados para o Itamaraty, são Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, a ex-ministra da Agricultura no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro e senadora Tereza Cristina (PP) e o diplomata Roberto Azevêdo que foi diretor-geral da Organização Mundial de Comércio (OMC). Entre os três, Eduardo Bolsonaro é o nome que gera maior preocupação na diplomacia brasileira, principalmente por sua atuação, comentam, nos Estados Unidos “de apoiar e estimular medidas contra o Brasil, como os tarifaços aos produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano.” Eduardo Bolsonaro costuma ser chamado de "traidor¨.

Ainda falta o segundo turno, no dia 25, para sabermos os rumos do Brasil.

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